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28/07/17

O filme das nossas vidas

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling







O filme das nossas vidas


Amanhã, 3 de agosto, estreia em todo o País o novo filme dirigido por Selton Mello, grande referência do cinema e do TV na atualidade. “O filme da minha vida” toma por base romance do escritor chileno Antonio Skármeta, mundialmente conhecido a partir do sucesso da adaptação de outro romance seu, “O carteiro e o poeta”, que levou multidões aos cinemas e até hoje é incensado. Quem não lembra do carteiro Mario, encarregado de levar cartas para a vila (o filme é ambientado na Itália) na qual mora o poeta chileno Pablo Neruda? Agora, “O filme da minha vida” ambienta na Serra Gaúcha, em Bento Golçalves e outras localidades, o romance “Um pai de cinema”, de Skármeta, que originalmente se passa em uma cidade do Chile. Ou seja, é o Rio Grande do Sul emprestando a sua paisagem para uma parceria de Selton Mello com Antonio Skármeta.
Pessoalmente, conheci Skármeta em 2002, quando participei de um programa de intercâmbio para jornalistas patrocinado pelo Consulado da Alemanha. Ao lado de outros 11 jornalistas de diversos estados brasileiros, viajei por um mês por cerca de 20 cidades alemãs, entre agosto e setembro. Em uma recepção na Embaixada brasileira em Berlim, eis que cruza pela minha frente uma figura que já conhecia muito bem do programa “El show de los libros”, que Skármeta conduzia e que no Brasil era reproduzido pelo canal de TV a cabo People and Ars. Antes de ter viajado à Alemanha eu já sabia que Skármeta era embaixador do Chile em Berlim, onde também estivera radicado por uma década durante a ditadura de Pinochet. Prontamente busquei estabelecer contato com ele na ocasião do encontro na Embaixada, e conseguimos agendar uma entrevista na Embaixada do Chile antes de meu retorno ao Brasil. E a entrevista de fato ocorreu.
Mais de dez aos depois, viajei a Santiago do Chile em compromisso profissional, no início do mês de novembro. Coincidência das coincidências, ao passar de táxi diante do gigante centro de convenções da cidade visualizei um imenso cartaz convidando para a Feira Internacional do Livro da cidade, um dos grandes eventos da literatura na América do Sul. Ao lado, uma foto gigante de Antonio Skármeta, uma das atrações da feira e recém-anunciado como ganhador do Prêmio Planeta de Literatura. No estande de sua editora na feira, na condição de jornalista internacional prontamente credenciado para o evento, não foi difícil para mim obter um telefone de contato. Liguei à noite, do hotel. Skármeta, gentil como sempre, me atendeu, e sugeriu apenas que eu ligasse de novo na manhã do dia seguinte, pois estava em meio a uma pequena festa em sua casa. Simplesmente porque se tratava, pasmem!, do dia de seu aniversário, 7 de novembro.
Uma segunda entrevista efetivamente foi realizada, no dia seguinte. Dessas conversas resultou em 2012 o convite para que o autor chileno viesse se tornar o primeiro patrono internacional da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. E a vinda de Skármeta a Santa Cruz do Sul, estreitando seus laços com escritores e leitores, permitiu que, numa iniciativa minha e do meu amigo Rudinei Kopp, professor da Unisc e escritor, convidássemos Skármeta, na cara e na coragem, o célebre escritor chileno a colaborar com um conto exclusivo de sua autoria na antologia “Nem te conto II”, de 2013. Skármeta prontamente aceitou o convite e ambientou esse texto em Santa Cruz do Sul, o que era a proposta da publicação, depois incorporando-o em seu novo livro de contos, “Libertad de movimiento”, lançado em 2015 nos países de língua espanhola.
Da vinda de Skármeta a Santa Cruz resultou o filme que amanhã estreia nos cinemas. Ele gostou tanto da paisagem e do ambiente cultural gaúcho que insistiu em ver seu romance “Um pai de cinema” filmado por um cineasta brasileiro. A proposta acabou sendo feita a Selton Mello, e a parceria entre o diretor de “O Palhaço”, que fizera muito sucesso nos cinemas, e o romancista famoso de “O carteiro e o poeta” resultou em “O filme da minha vida”. A arte, da literatura ao cinema, torna-se mais rica e mais humana a partir desse tipo de diálogo, e assim dá mais alento ao viver. E Skármeta alimenta igualmente o sonho de conhecer Agudo e visitar Linha dos Pomeranos, pois está muito bem informado tanto sobre a cidade quanto sobre a região serrana do município.





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