30 ºC
Programa Programa de Domingo
AO VIVO

03/08/17

Quanto velho você quer ficar?.

Por Paulo Augusto Wilhelm









VIVER – Quanto velho você quer ficar? Bem velho ou meio velho? Pergunta deselegante, sei. Ora, ficar velho. A menção à idade dos ‘enta’ (sessenta, setenta, ...) mais palatável no momento é a de ficar jovem por mais tempo. Grande coisa. Que diferença faz? De minha parte, nenhum problema. Acompanhando a soma dos dias, espero com curiosidade o que me reserva esta juventude prolongada. Vou ficar velho e pronto. Aliás, bem velho. E para ficar muito velho o máximo que vou fazer é cuidar de ser menos ranzinza do que já sou, de tomar ao menos um banho por dia e aparar os pelos das narinas e das orelhas, de ter saúde para caminhar, visão para ler e escrever, capacidade de afeto para ser aceito dentre os meus e, também, pelos de fora. Quero ter freio inibitório para não ficar assanhado e ridículo. Quero continuar a achar a Rosa “die schönste Blume” e ser seu cravo mais perfumado. Quero, mais tarde (ou nem tão) – poder conviver com a política sem me envolver. Já sendo avô, não deixo por menos e quero ser bisavô, trisavô, tetravô e... chega! Pentavô não, pois a pouca presa para ‘trabalhar’ das novas gerações fazem demorar demais a espera por crias novas. Cinco gerações não alcanço.
**
Alimentemos juntos a esperança de ficarmos velhos lépidos e faceiros. A nosso favor estão institutos de pesquisa que se escabelam (cientista sempre está com cabelo esgrouvinhado) para descobrir uma fórmula de nos manter aqui por muito tempo. Já se afirma que quem nasce de agora em diante terá condições plenas de viver cem anos, desde que sobreviva a roleta russa apontada para os ouvidos todos os dias.
** Cristina Borino, pesquisadora do CNPQ, relata em matéria de jornal do final de semana, que a empresa Calico, fundada por um coproprietário da Google, se dedica a descobrir como prolongar a vida. Para isso levou, no ano passado, 1,5 bilhão de dólares que investirá em estudar as toupeiras. Sim, conhecendo os hábitos e as características desse bicho esquisito, prim’ermão do rato, em alguns anos poderá surgir mais um elixir da longevidade. Claro que isto está acontecendo nos States. Aqui os orçamentos públicos para pesquisa minguam ou inexistem e as empresas privadas só investem naquilo que rende cifrões, não em vida mais longa. Borino arremata sua coluna escrevendo assim: “Enquanto alguns multiplicarão seus bilhões estudando as toupeiras, outro viverão um pouco como elas, cegos, enterrando-se cada vez mais, fingindo que não sabem o que precisa ser feito.” Escreveu e assina! É a mais pura verdade.
**********
Dádiva – Viver muito ou pouco é uma medida de tempo apenas. Na essência, viver é uma dádiva. Frei Clemente Kesselmeyer (que acalento um dia trazer para Agudo) faz poesia desta dádiva. “Alguém nos colocou no jardim da vida. / Ninguém está aqui por acaso, por fatalidade, por acidente, por descuido, por destino cego. / Ninguém foi apenas jogado no mundo. / Nunca somos apenas o resultado da união e divisão de  cromossomas. / O ser humano nunca é apenas o produto de fatores ambientais ou expressão de reflexos, reações e impulsos. / Todos somos fora de série. / Ninguém é cópia de alguém. / Ninguém é idêntico a ninguém. / O ser humano é tão grandioso, que sua frente toca o céu e as estrelas e sua alma é mais vasta do que o universo.”
********

 
Li, ouvi ou vi...Li .dia desses num sonho ela me dizia: ich habe dich zo gern, oh ich liebe dich. Acordei surpreso: pelo pouco que lembrava ela nem sabia alemão. (Trecho do poema Muito antes do princípio, de Romar Beling)





Mais colunas de Paulo Augusto Wilhelm





Rádio


Contato
Institucional
Equipe
Programação
logo

desenvolvimento Universo Web

Conteúdo


Áudios
Colunas
Galeria de fotos
Notícias



×

Daniel Martins

Programa de Domingo - com Daniel Martins
Hora de início: 10h 00min
Hora de término: 12h 00min
Voltar