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29/09/17

Teixeirinha na tela do cinema

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









Sempre fui admirador do cinema, pela capacidade de sintetizar um enredo que levaremos na memória talvez pelo resto da vida. Ao unir imagem e som, numa época anterior à da popularização da televisão, o cinema acabava assumindo conotação algo mágica. Cenas gravadas em locais distantes traziam para o espectador a fala de personagens e o ambiente de locais num tempo muito anterior à internet. Mesmo com toda a parafernália eletrônica e de comunicação da atualidade, nem por isso o cinema foi privado de sua magia. Soube manter, adequar ou adaptar seus recursos, para permanecer como arte, com proposta de exploração temática e olhar autoral sobre o mundo.
Mas houve uma época em que tudo era muito, muito mais simples. Pessoas de mais idade lembrarão inclusive de que se podia assistir a filmes no meio rural. Pequenos empresários que haviam adquirido projetores e possuíam cópias de filmes deslocavam-se de localidade em localidade nos anos 60 e 70. Munidos de megafone, convidavam os moradores para uma projeção em casas comerciais, salões de baile ou centros comunitários. Bastava estender lençol branco na parede e pronto: tinha-se a tela. Os campeões de preferência, se não a única atração, eram filmes centrados no Teixeirinha. Esse gaúcho, o Vitor Mateus Teixeira, foi (e continua sendo) um dos mais populares artistas do Estado, em especial na dupla que fez com a cantora Mary Terezinha.
Teixeirinha nasceu em 3 de março de 1927 no atual território do município de Rolante, e faleceu em 4 de dezembro de 1985, em Porto Alegre, onde residia, aos 58 anos. Depois de se apresentar em quase todo o País desde o início dos anos 60, lançou em 1967 o disco que constituiu trilha sonora para o filme “Coração de luto”, do mesmo ano, a sua estreia nas telas. E esta produção aparecia como programa recorrente em todas as localidades. Eu próprio lembro de ter assistido a uma exibição em minha terra natal, e certamente muitos leitores lembrarão de igualmente tê-la visto. Com o sucesso de “Coração de luto”, em 1969 ele estrelou “Motorista sem limites”, e nos anos seguintes, até 1981, esteve em outros 10 filmes largamente assistidos.
Já fascinado pela magia do cinema desde a infância, no interior, quando passei a residir na cidade de Agudo aproveitei todas as oportunidades para conferir os filmes que eram exibidos no belo cinema de que a comunidade dispunha então. E é de lamentar que essa estrutura hoje não mais exista, visto que não resistiu à concorrência das novas tecnologias, do videocassete e dos vídeos domésticos, nos anos seguintes. Quando me mudei para Santa Cruz do Sul, em 1988, ainda pude frequentar, ao longo de vários anos, os cinemas dessa cidade, em especial o popular Cine Victória, no qual praticamente não perdi uma única produção que entrava em cartaz. Até que o Victória do mesmo modo encerrou suas atividades, tendo sido uma das salas mais amplas e confortáveis do interior do Estado, com cadeiras para cerca de 1,3 mil pessoas. Hoje, embora o cinema ainda subsista e mantenha a importância intacta entre as grandes artes, são as salas de “shopping centers” que atraem o público para produções cada vez mais massificadas, com muita ação e pouca reflexão.
No entanto, ao lembrar de filmes a que assisti na infância no interior, dei-me conta de que Santa Cruz do Sul esteve também no roteiro de Teixeirinha. Foi nessa cidade, na qual trabalhava, que em 1956 ele conheceu o grande amor de sua vida, Zoraida Lima Teixeira, natural de Rio Pardo, e que faleceu em 2014, aos 82 anos. Foi inclusive em Santa Cruz do Sul, na Catedral São João Batista, que Teixeirinha e Zoraida se casaram, um ano depois de se encontrarem, e mais tarde foram morar em Soledade. Tiveram quatro filhos, e seguiram juntos até 1985, quando Teixeirinha morreu. Em 1961, nas andanças como músico, em Bagé ele conheceu Mary Terezinha, que na época estava com 13 anos, 20 anos mais nova do que ele. Talentosa com a gaita, ela fez dupla com Teixeirinha por 22 anos, e mantiveram um caso que resultou em casal de filhos. Ambas as mulheres sabiam uma da importância da outra na vida de Teixeirinha. Este na verdade no total teve nove filhos, com quatro mulheres diferentes. E no cinema segue mantendo, mais de 30 anos após a sua morte, a fama de personagem emblemático, que rivalizou com o ator Mazzaropi no imaginário dos espectadores.





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Wilmuth Prochnow

Alegria da 3ª Idade - com Wilmuth Prochnow
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