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05/10/17

Quando algo espiritual nos acontece, não vem anunciado, ruidosamente, ao som da Nona Sinfonia de Beethoven.

Por Paulo Augusto Wilhelm







Quando algo espiritual nos acontece, não vem anunciado, ruidosamente, ao som da Nona Sinfonia de Beethoven.


APARECIDA – “Tudo se iniciou quando a imagem foi colocada no caminhão dos bombeiros, para ser levada até Aparecida. As pessoas chegavam de todos os lados, formando, rapidamente, uma multidão, unida pelo mesmo sentimento de homenagem a imagem de Nossa Senhora. Dos dois lados do trajeto, formou-se um corredor humano, compacto, que começou na Av. Paulista, seguindo pela Via Dutra, e essa multidão só aumentava, ao longo do trajeto. À medida que o caminhão avançava, as pessoas se manifestavam, batendo palmas, rezando ou chorando de emoção. No sentido contrário da rodovia, os caminhoneiros, que vinham do Rio de Janeiro a São Paulo, estacionavam seus caminhões, subiam nas cargas para verem melhor, ajoelhavam-se e rezavam, saudando Nossa Senhora Aparecida. Eu acompanhava tudo e pela primeira vez a comoção me invadiu e percebi que havia tocado em algo sagrado. ” Este testemunho é de Maria Helena Chartuni, restauradora de esculturas do MASP que recebeu a tarefa de devolver ao Brasil, íntegra, a imagem sacra de terracota de 37 cm de altura, 18,5 de largura e 11 cm de profundidade, originalmente bege clara e escurecida pelo tempo em que ficou submersa no Rio Paraíba, até ser encontrada na rede de três pescadores, em 1717, destruída por um jovem que a jogou no chão, partindo-a em mais de 200 fragmentos, em 16 de maio de 1978.
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“Quando algo espiritual nos acontece, não vem anunciado, ruidosamente, ao som da Nona Sinfonia de Beethoven. Simplesmente chega, de forma imprevista e silenciosa, e sem nenhum controle pessoal. ” Os relatos da senhora Chartuni se encontram em seu livro “A História de Dois Restauros – meu encontro com Nossa Senhora”, lançado com parte da programação dos 300 anos da aparição da imagem, que recebeu a denominação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
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Leva-nos a refletir o que escreve a autora, já ao final do livro: “Mas por que o restauro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, sem a assinatura de um grande mestre pôde mudar tanto assim minha vida e a de tantas pessoas? Se tivesse saído das mãos de um Michelangelo, por exemplo, a atenção seria, em primeiro lugar. à genialidade do mestre da Capela Sistina. Ela tinha que aparecer anônima, talvez para cumprir outra função, que não fosse a descoberta de uma grande obra de arte. Não seria este anonimato artístico providencial e necessário para ela cumprir a missão espiritual, destinada a proporcionar a tanta gente pobre, rica, culta e inculta, a fé que transcende a qualquer explicação lógica humana? Em época de grande idolatria como a nossa, em que nomes sagrados foram substituídos por ídolos passageiros do consumismo exacerbado, como permanecer indiferente à explosão de fé que acontece com esta imagem. Ela representa algo grandioso e misterioso, muito além de sua forma escultórea. Por maior que seja a inteligência humana, ela esbarra, sempre, no limite do desconhecido e inexplicável, e é nesse espaço que entra a escolha da fé, que passa pelo crivo da razão e repousa no coração”.
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No tempo-Brasil, tão nojento pelos acontecimentos que nos são servidos à la carte todos os dias, as celebrações dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida são alentos para a alma. Aproveitemos e aufiramos as bênçãos que são generosas.


 
Li, ouvi ou vi... – Li “Ninguém que tenha tido contato com o sagrado permanece a mesma pessoa, ainda que esta transformação leve anos. Deus age, profundamente, em nós. ” Maria Helena Chartuni.





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Wilmuth Prochnow

Alegria da 3ª Idade - com Wilmuth Prochnow
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