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26/10/17

Agudo no topo do futebol

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









O ano de 1983 foi emblemático para o futebol gaúcho. Quem esteve lá, e quem tinha idade suficiente para guardar daquele período uma memória mais ou menos clara, sem dúvida alguma lembrará bem. Por mais que, nos dias atuais, tenhamos rezinga completamente desnecessária acerca de qual título ou conquista foi maior, todo o Rio Grande do Sul reconhece os feitos. O primeiro deles está, inclusive, estampado na Arena do Grêmio, visível para os que chegam na ponte estaiada de acesso à freeway: Campeão do Mundo. O Grêmio foi campeão mundial, numa final inesquecível contra o Hamburgo, da Alemanha, no dia 11 de dezembro de 1983. Vários clubes brasileiros já haviam sido campeões mundiais antes, e ostentam com inegável orgulho o título, mas o Grêmio viria ser, ali, o primeiro dos gaúchos, o primeiro do Sul do País, a chegar ao topo.

Vinte e três anos depois, em 2006, como bem sabemos, o Internacional, coirmão porto-alegrense do Grêmio, igualmente chegou ao título mundial, em Yokohama, contra o Barcelona. Os colorados referem que se trata do primeiro campeão mundial Fifa no Estado, mas é claro que o título mundial sempre foi importante, e muito antes disso. Basta lembrar que a Fifa só agregou sua marca a essa competição porque ela já era grande, e não se tornou grande porque a Fifa a adotou. Logo, só foram possíveis campeões mundiais em tempos de Fifa porque antes disso a final do mundial era algo muito importante, tão importante que a Fifa se interessou em adotá-la.

Pois, alusivo a esse mesmo ano de 1983, quando o Grêmio, em Tóquio, tornava-se campeão mundial, um outro feito repercutiu muito no Rio Grande do Sul. Um time de Agudo era nada mais nada menos do que campeão estadual de futebol, na categoria amadores. O Atlético Clube Avenida colocou seu nome entre os grandes campeões desse certame, organizado pela Federação Gaúcha de Futebol. Quem se dedicar a pesquisa na internet descobrirá que o Campeonato Gaúcho de Amadores constitui uma das mais longevas competições gaúchas, tendo se iniciado em 1954, com o Internacional de São Borja como primeiro campeão. Ao longo dos anos, foi elencando um sem-número de clubes como campeões, e Agudo passou a se destacar com alto grau de importância. Os que, a exemplo do título do Grêmio, estavam em idade de guardar uma memória daquela época, lembrarão com carinho da narração emocionada da equipe da Rádio Agudo que esteve na cobertura do quadrangular final, curiosamente realizado só no primeiro semestre de 1984, em Novo Hamburgo. Foi a 30ª edição da competição, e Agudo superou três outros finalistas, entre eles o Aurora, de Cerro Largo, que havia sido campeão no ano anterior, e que em 1983 ficou com o vice-campeonato. Que feito para o Torrão Amigo: terra do campeão estadual de futebol amador de 1983.

Como aconteceu em âmbito de Estado, quando a façanha do Grêmio de certo modo desafiou o Internacional a se impôr perante o mundo, eis que em Agudo a conquista do Avenida fez outro clube acreditar que algo assim era possível. Pois em 1992, o Esporte Clube Porto Alves foi lá e emplacou o nome na história, conquistando seu primeiro título, o segundo do município no Estadual de Futebol Amador. Não satisfeito, e beneficiando-se de uma geração excepcional no esporte regional, repetiu a dose no ano seguinte, em 1993, e tornou-se bicampeão – não por acaso seu estádio chama-se Alto da Glória. Assim, dois clubes de Agudo projetaram seu nome no Estado.

Hoje, quando o estadual de amadores já não tem a mesma aura ou não consegue promover a mesma mobilização na comunidade regional, fica-se a olhar com saudosismo e emoção para aqueles gloriosos anos 80 e 90. A 63ª edição do Amador, em 2016, foi conquistada pelo Liberal, de Pelotas, e alguns clubes que rivalizavam palmo a palmo com Avenida e Porto Alves em seus tempos áureos, como o Juventude Operária, de Ibirubá; o Sapiranga, de Sapiranga; ou o Botafogo, de Três de Maio, seguem aí, em atividade, e altamente competitivos. Quem sabe, com uma retomada da organização e a mobilização de atletas, apoiadores e de toda a comunidade, muito em breve um deles ou mesmo os dois clubes, Avenida e Porto Alves, possam voltar a figurar nessa competição. Se ambos mostraram, com competência e garra, que é possível, porque não seria possível outra vez?





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