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26/10/17

Estudar pra que?

Por Psicólogo Lucas Lüdtke









Início de ano letivo parece ser um pesadelo para muitos pais e, principalmente, para os estudantes. Problemas que durante as férias escolares estavam adormecidos voltam a todo vapor: os conflitos recomeçam e a relação pais/filhos/escola se torna desgastante. As atividades escolares geralmente são vistas como chatas, desinteressantes e pouco conectadas com a vida cotidiana. Ensinar é arranjar contingências de reforçamento. Além do que ensinar seria o ato de facilitar a aprendizagem; quem é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não é.

Estudar não é um comportamento intrínseco, inato. É um comportamento que necessita de aprendizagem. Assim, quais procedimentos comportamentais poderiam ser usados para alcançar um comportamento tão desejado, como o de estudar? Como é possível instalá-lo e fortalecê-lo no repertório dos nossos estudantes?

 Em primeiro lugar, deve ficar claro que estudar é diferente de fazer as lições de casa. As lições de casa são demandas da escola, importantes para a aquisição do conhecimento formal. Poderíamos definir o ato de estudar de uma forma mais ampla, que envolve repertórios diversos, tais como: buscar conhecer, aprender, explorar, perguntar, estabelecer relações. É algo que vai além do conhecimento formal.           

Entretanto, podemos utilizar do conhecimento formal e das demandas escolares para desenvolver hábitos de estudos mais funcionais, cujo objetivo final seria desenvolver o amor por aprender e estudar.

Um dos procedimentos que podemos utilizar para desenvolver hábitos de estudo é o de modelagem. Modelagem é um procedimento utilizado para desenvolvimento de um novo comportamento por meio do reforçamento sucessivo de respostas cada vez mais próximas ao comportamento final desejado e da extinção das respostas anteriormente emitidas. Assim, para que se estabeleça um procedimento de modelagem, é necessário:

1. Especificar o comportamento final desejado – que nesse caso seria o de estudar [que poderia ser definido como repassar as matérias que foram vistas em sala de aula, produzir um registro escrito do que foi lido (resumo, gráfico, grifos em textos etc.). É algo além de fazer as tarefas escolares].

2. Identificar uma resposta que possa ser usada como ponto de partida em direção ao comportamento final desejado. Pode-se iniciar com a disciplina escolar que o estudante prefere, a mais fácil ou a que exige menos esforço. Dividir em unidades mínimas (um conceito, uma informação mais importante) com baixa probabilidade de erro por parte do estudante.

3. Reforçar a resposta inicial; depois, realizar tentativas sucessivas e cada vez mais próximas à resposta final desejada, até que por fim a resposta desejada seja alcançada.

 O procedimento de modelagem pode e deve ser combinado com procedimento de instruções verbais para que o estudante aprenda como selecionar as informações mais relevantes, como produzir um resumo escrito, criar gráficos e esquemas que contemplem o conteúdo. Em muitas ocasiões, procedimentos combinados aumentam a probabilidade de sucesso de todo o processo.

Não podemos esperar que o comportamento de estudar seja emitido espontaneamente. É preciso criar condições para que ele ocorra e, assim, possa ser consequenciado. Uma boa alternativa é preparar o ambiente para que as respostas esperadas sejam emitidas. Por exemplo, estabelecendo uma rotina por meio de horários reservados para o estudo, em um local adequado (sem barulhos, interrupções e outros distratores) e fornecendo materiais que aumentem a probabilidade de ocorrência do ato de estudar.

 Outro ponto importante no manejo das consequências durante o desenvolvimento de hábitos de estudo é o monitoramento. Não podemos esperar que um estudante que esteja desenvolvendo esse novo repertório tenha o autocontrole e disciplina necessários para se manter engajado e sob controle das respostas que deve emitir. Assim, os pais devem ser os responsáveis pelo acompanhamento e monitoramento das novas atividades.

É preciso reconhecer que não é apenas obrigação do estudante estudar. É preciso valorizar – por meio de incentivos, elogios sinceros, imediatos e descritivos – o esforço do estudante. O objetivo ao se instalar hábitos mais saudáveis de estudo não é apenas tirar boas notas, passar de ano. Mas também desenvolver amor por aprender e estudar.

 

Fonte de referência: http://www.comportese.com/





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