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09/11/17

Os pássaros cantam louvores

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









Nos últimos dias dediquei-me à leitura de livros que, mesmo que eu não o tenha previsto de forma consciente, tematizam dois extremos de ambientes no planeta Terra. O primeiro atendeu a uma curiosidade de longa data: analisa em detalhes o deserto do Saara, que se estende numa imensa faixa de território pelo Norte da África. Essa região desértica, que atravessa vários países, tem nada menos do que o tamanho dos Estados Unidos. Se num primeiro momento a gente pudesse imaginar que deveria ser quase desabitada, acaba por ficar sabendo que é até muito movimentada.
Além de inúmeras espécies de vegetais, entre eles imensas árvores, que resistem por séculos, se não milênios, há entre as dunas muitos animais e muitas aves. E deve-se mencionar igualmente a presença humana, de tribos nômades e de povos bérberes, que transitam entre um lugar e outro em geral sobre camelos, que têm organismo extremamente adaptado a essas regiões de clima inóspito. E no Saara vive inclusive outro animal que impressiona: é o feneco, uma espécie de canídeo que quase não bebe água nunca, conseguindo fazer no seu organismo uma pequena reserva de líquido só com o que obtém dos outros animais de que se alimenta, o que é suficiente para sua sobrevivência.
Depois de ter lido sobre o Saara, por alguma curiosa associação inconsciente fui pegar na estante outro livro que não havia lido, embora o tivesse adquirido há anos. É o “Cruzando a Última Fronteira”, do escritor gaúcho Airton Ortiz, natural de Rio Pardo, que cresceu e estudou em Cachoeira do Sul e que mais tarde se radicou em Porto Alegre, onde foi fazer a faculdade de jornalismo. Airton já esteve em Agudo, em feira do livro na Escola Estadual Professor Willy Roos, e é certamente o escritor brasileiro que mais viajou pelo mundo. Há alguns dias fui a Porto Alegre para entrevistá-lo e então ele me contou que já visitou mais de 80 países, alguns deles várias vezes. Suas andanças traduziram-se em cerca de 20 livros. O que menciono descreve a sua viagem ao Alasca, junto ao Polo Norte, atingido por nevascas em nove meses do ano, clima no qual só resistem animais, aves e peixes adaptados a temperaturas que não raro chegam a 50 graus negativos.
Essa região próxima ao Círculo Polar Ártico registra dois contrastes: no verão, pela forma como o planeta gira sobre o eixo, por cerca de um mês o sol nunca se põe. Passa 23 horas do dia em seu percurso, e por uma hora, perto da meia-noite, chega quase a tocar o horizonte, mas então começa a subir de novo, de forma que a população tem dias inteiros com sol. Já no inverno são três meses em que, ao contrário, o sol não aparece, numa completa escuridão ártica, marcada por fortes nevascas e tempestades, de maneira que muitas espécies de animais, a exemplo do urso, entram em suas cavernas, acomodam-se e aproveitam para descansar, dormir, em hibernação.
Tanto no Saara, marcado pelo extremo calor, quanto no Alasca, em que se impõe o frio intenso advindo das geleiras, toda a natureza, das árvores às plantas baixas e dos pássaros aos animais, sabe ajustar-se ao tempo desfavorável, sabe esperar, com paciência, e no entanto comemora, com euforia e júbilo, a chegada da primavera, por mais curta que ela venha ser. Por isso, não me espanto (ao contrário, me impressiono sinceramente) em tempos como os de agora, quando a primavera chega ao Sul do Brasil, e reparo na algazarra da vida natural: em especial os pássaros festejam a chegada de cada amanhecer com cantos entusiasmados, elevando à natureza, à qual eles próprios estão intimamente vinculados, uma homenagem em forma de sons, trinados e alegrias.
Bem que nós, seres humanos, quando acordados pela cantoria entusiasmada dos passarinhos, a cada manhã, poderíamos aprender algo com eles: aprender a também agradecer à natureza, mesmo que em silêncio; a celebrar a vida, com simplicidade, sem egoísmo, a cada dia, agradecendo por mais uma oportunidade de existir, coexistir, fazer coisas boas e apreciar as belezas do mundo que nos cerca. Mas na maior parte do tempo estamos ocupados demais com planos materialistas, imediatistas e egoístas, que nos desviam da única coisa que talvez faça sentido neste mundo: viver. Viver em plenitude, fazendo o bem aos outros, jamais fazendo o mal, pois energia positiva só pode voltar em forma de mais energia positiva para nós e para todos os que queremos bem.





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