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23/11/17

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”

Por Paulo Augusto Wilhelm







“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.”


PEQUENO PRÍNCIPE – A borboleta baila despretensiosa coreografia diante dos olhos. De repente, dá meia volta e pousa num braço do par de braços estendidos para colher sol. Suas asas não batem. Ela está em paz. Com a pinça de dois dedos se a poderia aprisionar. Melhor não. Melhor seria dar-lhe um jardim ainda maior, com ainda mais flores, para que ela pudesse chamar ao sarau ainda mais borboletas, com ainda mais cores, que dancem um ainda mais belo bailado – um Quebra Nozes sem sapatilhas, quem sabe. É amarela a borboleta. Podia ser azul, podia ter asas furta-cor ou multicor. Tanto faz. O que importa é que ela existiu, e estava lá – ela e o homem de braços abertos colhendo sol, na alameda do jardim onde rosas, jasmins e alfazemas compunham uma fragrância que alquimista algum, sequer Grenouille, d’O Perfume, conseguiu imaginar.

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Em estado de graça a alma fala palavras que escapam fugidias como o voo da borboleta e pousam no papel e vão parar na coluna de um jornal. Em estado de graça, O Pequeno Príncipe cai no colo, adornado com um laço de fita (como se precisasse se enfeitar), a anunciar: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.” Como então não chegar já as duas, para sentir junto esta felicidade?

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Das muitas leituras clássicas e universais que pacientemente esperam na fila que anda devagar, o Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, era uma. Nunca havia cogitado ler (não sei por que) e, também, ainda não li. Mas o livro chegou, envolto em laço de fita, com dedicatória, tirada de suas páginas mesmo: [– O que significa “cativar”? perguntou o Pequeno Príncipe. – Significa “criar laços”... respondeu a raposa.]

Nosso pequeno príncipe começa a ‘criar laços’ com pessoas importantes para ele, assim como vocês! Por isso, vovó e vovô, ... 25 de novembro... 1 aninho... avós Elda e Nilo... Se é para apertar ainda mais os laços do cativante conviver, lá estaremos e, emendando o enredo, celebraremos a astúcia dos pais heróis que fundiram de vez o amor sem medida na angústia do primeiro engasgo.

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De Saint-Exupéry:

– Bom dia! – cumprimentou o pequeno príncipe.

– Bom dia! – respondeu o mercador. Ele era um vendedor de pílulas que foram desenvolvidas para que diminuíssem a sede. Toma-se uma por semana e não se tem mais vontade de beber a semana toda.

– Por que tu vendes isto? – indagou o principezinho.

– É uma grande economia de tempo – explicou o vendedor. Os especialistas fizeram os cálculos. Economiza-se cinquenta minutos por semana.

– E o que eles fazem com esses cinquenta minutos?

– O que eles quiserem...

“Eu”, pensou o pequeno príncipe, “se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, caminharia tranquilamente em direção a uma fonte...” 

**************

Li, ouvi ou vi... – Li:. – Por que tu bebes? – perguntou o pequeno príncipe.

– Para esquecer – respondeu o bêbado.

– Esquecer o que? 

– Para esquecer que eu estou com vergonha – confidenciou o bêbado.

– Vergonha de quê?

– Vergonha de beber.

E o pequeno príncipe partiu, perplexo. “As pessoas grandes são, decididamente, muito esquisitas”, dizia consigo. 





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