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23/11/17

Quando chegam os ETs?

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









Vivemos dias estranhos. Por mais que tenhamos à disposição todos os meios imagináveis e inimagináveis de esclarecimento, parece que mergulhamos num cenário de trevas. Era inconcebível, há poucos anos, que qualquer pessoa, a um simples clique na tela de um celular, tivesse a possibilidade de desfazer mal-entendidos ou informar-se acerca da veracidade de uma notícia. Mas isso em nada está nos ajudando. Antes, contribui para que a ignorância e a falta de compreensão só aumentem. Em outros tempos, levava-se meses ou anos para ter acesso a informação, transmitida por algum viajante, e esse, se decidisse mentir, fixava por um bom tempo uma notícia inverídica. 

E até o que era transmitido à distância, pela rádio, podia ser trote. Tudo porque, supostamente, como fonte de informação confiável, o que se dizia no rádio era verídico, por mais inverossímil que pudesse soar. Não por acaso, pessoas não entraram em polvorosa em outubro de 1938 quando a CBS, nos Estados Unidos, surpreendeu seus ouvintes ao noticiar que marcianos haviam invadido a Terra? Sem a possibilidade de esclarecer o mais rapidamente possível a notícia, milhares entraram em desespero e tentaram buscar algum tipo de refúgio. E do que se tratava? Apenas de uma narração sensacionalista no contexto da adaptação para rádio do livro “A guerra dos mundos”, do escritor H. G. Wells, com narração, veja só, do famoso cineasta Orson Welles. Horas foram necessárias para que o pavor e o pânico fossem contornados, e as pessoas se tranquilizassem.

Hoje, guardadas as proporções, vivemos uma espécie de “guerra dos mundos”, mas sem invasão alienígena. Os mundos em guerra, agora, são os opostos, os diferentes, e é quase impossível que no capinzal da internet alguém conclua algo que preste, tamanho o embate entre notícias falsas e opiniões pessoais ou grupais apoiadas no achismo. Em torno de cada tema, da trilha das formigas ao programa nuclear da Coreia do Norte, vale “o que eu acho”. Cada um arraiga-se a síntese do bom pensamento, da conclusão mais confiável, e só os que concordam ou pensam como ele é que merecem ser ouvidos e acatados. O outro, e não importa quem seja esse outro, só tem uma razão de existir: para acatar a opinião e o ponto de vista do indivíduo. Se não acatar, tudo se justifica para emudecê-lo ou, em último caso, para uma cruzada contra ele a fim de convertê-lo ao bom caminho.

Estamos em guerra constante, e bastaria conferir os comentários, mesmo os que começam por parecer inocentes, ao final das matérias mais polêmicas, nos sites de notícias da internet. Depois do segundo ou terceiro “post”, a guerra é praticamente declarada entre dois ou mais internautas, e não demora a que algum deles convide o outro a se materializar “ali na rua” a fim de resolver a pendenga (isso quando ainda recordam, depois de três horas de embate retórico à distância e entre completos desconhecidos, por vezes identificados por nomes falsos, por que tudo aquilo começou). 

O descompasso na evolução (ou desevolução) passa também por certas evidências constrangedoras no comportamento social. Por exemplo: há décadas rinhas de galo são terminantemente proibidas, pela crueldade praticada com as aves, colocadas no rinque a serviço da selvageria e da involução de certos humanos. Precisou que se criasse uma lei a fim de inibir as rinhas. No entanto, veja só, em tempos de comunicação instantânea, as rinhas de gente são perfeitamente permitidas, autorizadas, e inclusive exploradas pela mídia. Mais: rinhas de gente permitem até que alguns, como orangotangos na vitrine de um circo de horrores, fiquem famosos. 

O que mais seriam as lutas de UFC e outros esportes de brutalidade do que “rinhas de gente”? E depois gastamos saliva e fortunas em publicidade e marketing para justificar a completa aberração, que devia deixar um cidadão com pesadelos, na hora em que põe a cabeça no travesseiro, acerca do que está ensinando e transmitindo, como valores, a seus filhos ou netos. Nessa guerra de vaidades ou na guerra dos mundos, entre rinhas de gente e rinques virtuais na internet, quase devíamos clamar pela invasão, o quanto antes, de algum ET, para ver se colocava ordem a casa, coisa de que os humanos, século após século, se mostram incapazes. Ou até para salvar o planeta, porque não há um único ET que possa ser culpado de estar depredando e destruindo a Terra.





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Daniel Martins

Panorama - com Daniel Martins
Hora de início: 08h 30min
Hora de término: 09h 30min
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