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18/01/18

Um tesouro que cai do céu

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









A sociedade, nos diversos recantos do planeta, tende a ter questões sérias com que se ocupar nos próximos anos no que tange à sobrevivência. A qualidade do ar, a oferta de alimentos, a poluição, tudo deve ocupar a atenção de governantes, organismos e pessoas. Mas poucas demandas talvez venham a ser tão urgentes quanto a da disponibilidade de água. Essa é uma tragédia anunciada, diante do descaso reinante. Dezenas de nações hoje já sentem no bolso e na rotina o impacto: precisam pagar caríssimo pela água, de que, aliás, já nem dispõem em seu território, importando o líquido por canais ao longo de milhares de quilômetros. E a gente acredita que nunca verá essa cena, não é mesmo? Está aí algo em que talvez estejamos redondamente enganados.
Em países como o Brasil, na maioria das vezes o assunto água passa quase batido no cotidiano, para não dizer que some pelo ralo. No dia a dia, a única coisa que importa a cada um é que tenha água para beber, para o banho regular e para as necessidades domésticas. A pessoa sabe que precisa de água, que ela é fundamental, e só quer que alguém responda por isso, providencie o abastecimento e, de preferência, que cobre pouco, ou nada. No que diz respeito à disponibilidade de água, a maioria das pessoas não faz nada para garantir a oferta, mas quase obriga ou exige (de forma cômoda) que alguém cuide disso, e que, em especial, não ganhe nada ou cobre nada por isso.
No entanto, cada vez menos comunidades, cada vez menos propriedades, têm água potável disponível em seus domínios. Na cidade, a água é fornecida por órgão específico: o que o cidadão faz é abrir a torneira e se valer do líquido que jorra dali. Na hora de abrir a torneira, ninguém se preocupa muito com a dificuldade que a sociedade teve para providenciar aquele insumo. E então, faça chuva ou faça sol, dê-lhe desperdiçar, dê-lhe usar e abusar, sem maior critério.
No meio rural, a questão é ainda mais delicada. Com o avanço das plantações de soja, ninguém precisa ser exatamente antenado para ver o que tem ocorrido na paisagem. Bosques somem por passe de mágica, e onde antes havia reservatório, vertente ou fonte, dias depois tem-se um descampado. Tudo em nome de um desenfreado “progresso”. Quantos não são os produtores que conseguem a façanha, praticamente um crime, de esvaziar açudes ou reservatórios de água para transformá-los em... lavoura! A certa altura, já quase nada resta de água na propriedade.
A ironia é que quem cultiva soja é muito dependente de água. Não apenas para o desenvolvimento da plantação, que requer água em abundância, mas para a aplicação de defensivos em várias etapas, contra pragas, doenças e plantas invasoras. Não são raras as situações em que os que esvaziaram seus próprios reservatórios para expandir as plantações ficam dependentes das reservas de água dos vizinhos para fazer as aplicações de defensivos. Ou seja: com pensamento imediatista e individualista, só se preocupam com a ampliação das próprias lavouras, só veem o aspecto imediato, mas são incapazes de zelar por um dos insumos fundamentais na agricultura, de prover-se da água, e assim avançam ou se apropriam, quase à força, desesperados, das reservas dos vizinhos, no que só se evidencia o egoísmo e a mesquinharia dominantes em sociedade.
Uma das grandes lacunas na nossa educação ambiental, do nosso planejamento e do nosso comportamento coletivo, fica evidente num desperdício inadmissível no mundo contemporâneo: o das águas das chuvas. Devia ser implantado até um programa de governo, inclusive em âmbito de município, com financiamento a baixo custo de cisternas, de 500, 1.000 ou até 5.000 litros. A instalação, prática, rápida e simples, de uma dessas cisternas próximo de chiqueiros, galinheiros e galpões para o gado ou outros ambientes em que se precisa de água na propriedade é uma das providências de maior impacto social e ambiental. E, no entanto, se alguém fizer um levantamento, verificará que pouquíssimas residências contam com tal recurso. Em um mundo tão pressionado por custos gerais e impactos ambientais, como ainda desperdiçamos de forma tão grotesca a água que cai do céu, um verdadeiro tesouro, e que de repente deixa de cair? Como não armazenamos, reservamos esse precioso bem para as nossas necessidades, e sem pagar nada por isso?





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