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02/02/18

“sultado.”

Por Paulo Augusto Wilhelm







“sultado.”


Ao tempo de Cristo viveu Lúcio Anneu Sêneca. Nasceu em 4 a.C e viveu até 65 desta era. Os apurados estudos em Roma fizeram de Sêneca um pensador e filósofo célebre. Seus ensinamentos e pensamentos cruzaram milênios com relevância e são, hoje, no terceiro milênio, atuais e fazem parar para refletir. Sua obra mais difundida é “Sobre a brevidade da vida”.
Não tinha a menor noção de que em algum momento tivesse existido um Sêneca, nem tampouco que a vida é breve. Entendia – e ainda penso assim – que a vida não é nem breve nem longa; ela simplesmente é, e a existência é experimentada por sucessões de agoras pelo tempo dado a cada um. Um dia, o também fraterno Lucas Lüdtke, psicólogo e colunista do CA, conduziu reflexão de formação humana na Loja Estrela de Santo Ângelo com um trecho desse livro. Apurei-me para adquiri-lo. Desejava conhecer melhor porque a vida é breve.
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Como estamos no verão, num janeiro que tem nos dado tardezinhas – longas tardezinhas essas – e noites – curtas noites essas – de temperaturas amenas, melhores para a convivência conosco mesmos e com o meio que nos rodeia – ao menos no que tange ao clima, veio-me a ideia de propiciar a quem me acompanha todas as semanas aqui na página  2, uma curta dissertação do hispânico de dois mil anos atrás.
“Por que reclamamos da natureza? Ela se mostrou benevolente: a vida, se souberes viver, é longa. Mas a insaciável ganância domina um; outro, desperdiça sua energia em trabalhos supérfluos; um encharca-se de vinho, outro fica entorpecido pela inércia; um está sempre ocupado com a opinião alheia, outro, por irreprimido desejo de comerciar, é levado a explorar terras e mares na esperança de obter lucro. Há aqueles que, voluntariamente, se sujeitam à ingrata adulação dos superiores. Também há os que se ocupam invejando o destino alheio e desprezando o seu próprio.”
Noutro tomo segue: “A vida se divide em três períodos: aquilo que foi, o que é e o que será. O que fazemos é breve, o que faremos é dúbio, o que fizemos, certo. Na verdade, o destino perdeu o controle sobre o passado, ninguém pode querer recuperá-lo. Ninguém retoma de bom grado o que passou, exceto aquele cujas ações estão submetidas à sua própria consciência. O que cobiçou ambiciosamente, desprezou arrogantemente, venceu violentamente, enganou perfidamente, furtou desonestamente e prodigamente gastou deve temer sua própria recordação. Cada dia só está presente por alguns momentos, mas todos os dias do passado a ti se apresenta quando assim ordenas. O tempo presente é brevíssimo, ao ponto de, na verdade, não ser percebido por alguns. De fato, ele está sempre em curso, flui e se precipita; deixa de existir antes de chegar; não pode ser detido do mesmo modo que o mundo ou as estrelas, cujo incansável movimento não permite que se mantenham no mesmo lugar.”
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Assim pensa Sêneca sobre a (brevidade) da vida. O livro é enxuto. São somente 84 páginas. Vale a pena. No verão, vale a pena.
 
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“Não julgues que alguém viveu muito por causa de suas rugas e cabelos brancos: ele não viveu muito, apenas existiu por muito tempo.” (Sêneca)



FOTO:  Estátua “Homem pensando” (Fonte: Google)





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