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02/02/18

O passado que não passa

Por Jornalista Romar Rudolfo Beling









O Brasil convive com um paradoxo em sua política e em sua governança: intitula-se de maneira recorrente como o país do futuro, e no entanto simplesmente não consegue se desprender do passado. O discurso no qual a nação promete corrigir suas falhas e suas faltas em geral é sempre enunciado por vozes passadistas, pelas mesmas vozes (e nem o tom delas muda), que por anos e anos a fio estão presentes, e já prometeram a mesma coisa, não raro várias vezes. É a permanência de um discurso, de um “status quo”, de um estado de coisas, que, afinal, favorece os que já estavam no poder, e que basicamente têm como prioridade permanecer nele. E nem há sinal de que isso venha a mudar em 2018, na eleição que se aproxima, porque parece que as opções serão as mesmas.
Os que têm idade suficiente para isso e acompanharam a retomada democrática que se seguiu aos governos militares de meados de 1960 a meados de 1980 certamente lembrarão que muitas das figuras que hoje vemos na política, em diferentes instâncias, já estavam lá. E elas não dão qualquer indicação de que largarão o osso, a menos que a gente (os eleitores) retire o osso que eles estão roendo. Mas o problema é que seus partidos, ou seus grupos políticos, ou eles próprios, não estão nem um pouco interessados nisso, e querem assegurar a sua continuidade bem juntinho do cocho.
Naqueles anos de Diretas Já, muitas das pessoas que hoje vemos na mídia (nem sempre fazendo boa figura, isso se não é justamente fazendo má figura) apareciam nos palcos: Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Lula, Collor, etc etc, são figurinhas muito marcadas. Já prometeram centenas ou milhares de vezes as mesmas coisas que agora prometem, e se não cumpriram ou não colocaram em prática até agora, quem seria o ingênuo ou o desavisado que acreditaria que agora sim, desta feita sim, no futuro sim, enfim vão resolver todos os nossos problemas. A exemplo do que já fizeram no passado e seguem fazendo, vão criar mais problemas para nós, isso sim!

OXIGÊNIO – O Brasil precisa, sem dúvida alguma, de oxigênio novo, de fôlego novo, porque com as velhas propostas e as velhas soluções seguiremos tendo resultados exatamente iguais. Isto é, teremos exatamente o que não queremos, porque o que tivemos nos levou ao péssimo estado de coisas atual. O País definitivamente não precisa de uma grenalização, e não importa quem esteja de um lado de campo e quem em outro. Se houver dois discursos e duas propostas que se chocam, a melhor solução e a melhor alternativa é descartar as duas, pois onde um só consegue existir em função do outro, ou em detrimento do outro, tal estado obviamente não pode fazer bem para a coletividade. Ou nos voltamos a uma terceira via, a da síntese, de um olhar macro, ou em 2018 apenas retomaremos o mesmo cenário de conflito de todos os governos anteriores, marcados por uma oposição interessada em atrapalhar ou em derrubar a situação, a qualquer preço ou custo.
Quando um governo está atrapalhado (a exemplo do que exibe Temer), a decorrência imediata – ou a única – é que se emperra toda a máquina, e assim se atrapalha toda a sociedade. Obras feitas pela metade ou para beneficiar um único grupo (o de quem está no poder) são parciais, e seu reflexo é alimentar o rancor, a frustração. Não por acaso, o Brasil, em mais de três décadas de eleições diretas para presidente, descuidou-se de todas as obras de infraestrutura e só discutiu política: as vias de transporte (rodovias, ferrorias, hidrovias, aeroportos) recuaram a um estágio de calamidade, e outros serviços públicos essenciais, como hospitais e escolas, estão completamente sucateados.
Portanto, com a aproximação das eleições no segundo semestre, a melhor solução ou a melhor reflexão do eleitor deveria ser: já votei naquele candidato? Ele já prometeu algo parecido? Por que promete de novo a mesma coisa que já disse em outra ocasião? Se sim, melhor largar de mão, apostar em alguma nova frente. Collor já sinaliza que vai ser candidato. Lula também. FHC fica dando palpites. Sarney está sempre aí. Dilma segue em sua lenga-lenga. Toda essa galera, cá entre nós, já deu o que tinha a dar. Quem apostar em mais do mesmo certamente verá mais do mesmo: contas cada vez mais altas, salário cada vez mais achatado e as compras no supermercado, ó!





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